A Percepção do Tempo

Ciência também é poesia, ou poesia também é ciência? Pelo menos consciência…
O tempo, a quarta dimensão “Einsteiniana”, é percebido pelo poeta de uma forma especial:

Mais um Domingo

A forma como o tempo propõe a resolução das coisas me dá preguiça. Bocejo. Raiva também me dá por essa vida arrastada a cada minuto, ansiosa, medíocre. O pior é quando temos consciência de que o tempo se move lento, dolorosamente sábio, e ainda assim acreditamos que o melhor é esperar. O que é o melhor¿ Eu não posso e nem quero esperar. Até posso, mas não deveria. Amanhã posso estar morta, um pedaço de carne e osso com os sonhos guardados para uma nova vida. E então, o tempo renova-se, retrocede-me aos primeiros choros,e apaga todos os outros que me fizeram o que sou.

E o meu eu-posterior-a-mim já pode não ter interesse pelas mesmas coisas, sonhar os mesmos sonhos, cantar as mesmas músicas. Não, não é que não pode, ele não vai mesmo. O meu eu-posterior pode nascer em um país muito pobre na África e não levar poesia porque já não lhe importam as palavras quando o estômago ronca e as pernas afinam. Posso ainda nascer na Suécia e me calar diante de um samba porque o significado já não existe sem um dicionário. Odeio dicionários. Ou as palavras encaixam em mim ou não.

Posso ainda nascer bicho, e talvez seja essa a melhor opção. Saciar minhas necessidades com o instinto, sem samba ou palavras. Ser como os meus felinos, felizes, alimentados, amados pela parte menos egoísta do meu coração. Esquecer vaidades, menosprezar posses, ignorar conhecimento. Viver apenas o dia de hoje do mesmo jeito que eu vivi ontem, e não projetar um futuro.

Mas enquanto não nasço africana, sueca ou bicho, fico com as minhas inquietações, minhas palavras, meus choros, minha fome, minhas vaidades, posses, dicionários, meu passado, meu presente, meu futuro. Resigno-me ao tempo, senhor de todos nós, pois já não adianta lutar. E ainda que adiantasse, tenho preguiça. E assim, espero mais um domingo.

Poema de Kadydja Albuquerque

Publicado em Geral | 3.945 comentários

Aplicativo de Conversão de Unidades de Pressão

Veja o novo aplicativo de conversão de unidades de pressão do WebCalc, totalmente renovado e com opção para exportação para o Excel:

WebCalc Painel  WebCalc – Conversões de Unidades de pressão

Publicado em Aplicativos | 3.910 comentários

Aplicativo de Conversão de Unidades de Potência

Veja o novo aplicativo de conversão de unidades de potência do WebCalc, totalmente renovado e com opção para exportação para o Excel:

WebCalc Painel  WebCalc – Conversões de Unidades de potência

Publicado em Aplicativos | 3.348 comentários

WebCalc Mapas

Dentro dos conceitos revolucionários da Web 2.0, principalmente os conceitos de Mashup e Ajax, o WebCalc publicou a “versão Beta” do WebCalc Mapas ( http://www.webcalc.com.br/viagens/mapas_wbc.html ).

O aplicativo on-line utiliza os recursos do Google Maps, mas ampliando as suas possibilidades com várias funcionalidades adicionais e, o que é importante, em Português! A figura abaixo mostra uma visão do aplicativo.

WebCalc Mapas

As funcionalidades dessa versão inicial, além das disponibilizadas pelo Google Maps, são:

  • Localização de qualquer ponto através de suas coordenadas geográficas (Latitude e Longitude)
  • Determinação das coordenadas geográficas de qualquer ponto do mapa
  • Cálculo da distância entre pontos marcados pelo usuário
  • Cálculo da distância entre dois pontos, dadas as suas coordenadas geográficas
  • Possibilidade de configurações, tais como: formato das coordenadas (decimal ou graus, minutos e segundos), unidade de medida de distância (metros, quilômetros, milhas ou milhas náuticas), cor, largura e transparência das linhas de distância, separador e quantidade de casas decimais, etc

Novas funcionalidades já estão sendo desenvolvidadas, utilizando uma grande variedade de recursos disponíveis na Internet, entre eles Webservices de banco-de-dados com milhões de registros geográficos interligados a bancos de conteúdos abertos como o Wikipedia, por exemplo.

As figuras abaixo ilustram algumas das funcionalidades disponíveis na versão inicial:

Cálculo das distâncias entre os aeroportos de Guarulhos (GRU), Rio de Janeiro (GIG) e Salvador (SSA):

WebCalc Mapas

Imagem de satélite do Maracanã (Visão em mapa ampliado):

WebCalc Mapas

Cálculo da distância entre os “gols” do Maracanã:

WebCalc Mapas

Cálculo do comprimento da pista principal do aeroporto de Congonhas, em São Paulo:

WebCalc Mapas

Vista do centro do Recife, em imagem de satélite com mapa sobreposto (Vista Híbrida):

WebCalc Mapas

Janela de configurações do aplicativo:

WebCalc Mapas

Grupos do Google
Participe do Grupo de Discussão WebCalc
E-mail:
Visitar este grupo
Publicado em Aplicativos, Informática | 3.988 comentários

Bilhões e Bilhões!

É claro que um bilhão é igual a mil milhões, ou seja, 1.000.000.000. Certo?…
Errado! Ou melhor, depende. Nos paises da Europa, Portugal e França por exemplo, um bilhão é igual a um milhão de milhões, isto é, 1.000.000.000.000.

Poucos brasileiros sabem, mas existem duas escalas para números grandes: A escala curta e a escala longa, ambas inventadas pelos franceses há séculos. A escala curta foi adotada pelos Estados Unidos e a escala longa foi adotada pelos paises da Europa, ficando conhecida respectivamente como “escala americana” e “escala européia” (ou britânica).

Na escala curta, a usada no Brasil, um bilhão é igual a mil milhões (um bilhão = 1.000.000.000 = 109). Para os europeus esse número é chamado de “mil milhões”, ou “milliard“. Para eles um bilhão é igual a um milhão de milhões (um bilhão = 1.000.000.000.000 = 1012).

Não é difícil de imaginar a confusão que isso pode causar. Ao tomar um empréstimo de um bilhão de Euros em um banco suiço, você receberá sem saber, 1.000.000.000.000 Euros, o que para nos é igual a um trilhão de Euros. Vai ser difícil explicar o engano para o leão da Receita Federal! 🙂

A diferença é ainda maior para o trilhão (1012 na escala curta e 1018 na escala longa), e assim por diante.

No meio científico e na engenharia essa confusão é evitada usando-se os prefixos do Sistema Internacional de Unidades (SI). Portanto, 1.000.000.000 W é, em qualquer lugar,
1 GW (um gigawatt), como na tabela abaixo:

Nome Símbolo Fator de Multiplicação
yotta Y 1024 = 1 000 000 000 000 000 000 000 000
zetta Z 1021 = 1 000 000 000 000 000 000 000
exa E 1018 = 1 000 000 000 000 000 000
peta P 1015 = 1 000 000 000 000 000
tera T 1012 = 1 000 000 000 000
giga G 109 = 1 000 000 000
mega M 106 = 1 000 000
quilo k 103 = 1 000
hecto h 102 = 100
deca da 10 = 10
deci d 10-1 = 0,1
centi c 10-2 = 0,01
mili m 10-3 = 0,001
micro µ 10-6 = 0,000 001
nano n 10-9 = 0,000 000 001
pico p 10-12 = 0,000 000 000 001
femto f 10-15 = 0,000 000 000 000 001
atto a 10-18 = 0,000 000 000 000 000 001
zepto z 10-21 = 0,000 000 000 000 000 000 001
yocto y 10-24 = 0,000 000 000 000 000 000 000 001

Para mais informações recomendo os links abaixo:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Escalas_curta_e_longa

http://en.wikipedia.org/wiki/Long_and_short_scales

http://www.unc.edu/~rowlett/units/large.html

Grupos do Google
Participe do Grupo de Discussão WebCalc
E-mail:
Visitar este grupo

Publicado em Geral | 3.808 comentários

É possível converter VA em W? (2)

O artigo É possível converter VA em W? ( http://blog.webcalc.com.br/2006/05/03/e-possivel-converter-va-em-w/ ) é um exemplo do interesse despertado por assuntos relativos à eletricidade e suas aplicações no nosso dia-a-dia. O artigo já teve mais de 100 comentários, a maioria deles com perguntas sobre problemas práticos com o uso cotidiano da eletricidade.

Infelizmente, é impossível responder a todas as perguntas, por duas razões. Primeiramente, com a minha formação em engenharia mecânica tenho, naturalmente, limitações de conhecimento técnico no assunto, mesmo tendo uma longa experiência na industria. Em segundo lugar, a crônica falta de tempo, espécie de epidemia moderna, não me permite maiores aprofundamentos nas pesquisas que teria que fazer para responder com precisão a todas essas perguntas.

Recomendo, portanto, que perguntas de caráter técnico sejam postadas no Grupo de Discussão WebCalc, onde conto com a inestimável ajuda dos membros do grupo, entre os quais participam profissionais de diversas áreas.

Para entrar no grupo informe o seu e-mail no formulário abaixo e clique no botão “Participe“.

Grupos do Google
Participe do Grupo de Discussão WebCalc
E-mail:
Visitar este grupo

Publicado em Geral | 3.852 comentários

Web 2.0

A Web 2.0 é uma nova rede mundial de computadores? Uma nova tecnologia? Uma nova Internet?

Nada disso! O termo Web 2.0 surgiu em 2003/2004, nos Estados Unidos, como título de uma série de conferências, organizadas pelas empresas O’Reilly Media e MediaLive International, abordando um grupo de conceitos adotados pelas empresas “Ponto Com” que sobreviveram à primeira grande crise da Internet.

Tim O’Reilly, o precursor do uso do termo, escreveu em seu artigo de conceitualização:

Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva” – Tim O’Reilly

Para saber mais sobre os conceitos que estão revolucionando a Web, leia os artigos da Wikipédia (A própria Wikipédia é um dos principais exemplos do conceito Web 2.0 de produção colaborativa de conteúdo em massa):
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Web_2.0&oldid=6609032
http://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Web_2.0&oldid=144851968

Outro exemplo clássíco de Web 2.0 é o YouTube. E por falar nele, recomendamos um vídeo sobre a Web 2.0…
http://www.youtube.com/watch?v=nsa5ZTRJQ5w

…e um interessantíssimo vídeo-resposta: Web 2.0 … The Machine is Us/ing Us
http://www.youtube.com/watch?v=6gmP4nk0EOE

Veja também os atigos de Tim O’Reilly:
What Is Web 2.0
Web 2.0 Compact Definition: Trying Again

Publicado em Informática | 3.966 comentários

O Correio Eletrônico e a Sua Influência na Gestão

Dentro do espírito do Blog WebCalc, de divulgar temas relativos à ciência e tecnologia, decidi publicar uma adaptação de um trabalho de pós-graduação, escrito por mim em parceria com o colega e amigo Paulo Emmanuel Alves Simões (Engenheiro Eletricista pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC-MG). O artigo procura contribuir para a discussão sobre a influência do correio eletrônico na gestão empresarial, buscando entender se o uso dessa tecnologia tem provocado uma sobrecarga de informação e qual é o seu efeito no tempo disponível do gerente.

Deixei o texto no seu estilo acadêmico original, mesmo sabendo que não é o mais apropriado para um blog. Mas, acredito que, desta forma, o texto será mais útil para os que buscam um referencial sobre o tema.

Para os que querem se aventurar em um texto relativamente longo e acadêmico, desejo boa leitura e que as informações e reflexões sejam um ponto de partida para estudos mais aprofundados desse tema ainda muito pouco estudado.


O Correio Eletrônico e a Sua Influência na Gestão:
Estudo de Caso em Uma Empresa Brasileira de Grande Porte

Alfredo José G. A. Borba
Paulo Emmanuel Alves Simões

1. Introdução

A busca por modelos organizacionais cada vez mais ágeis, dinâmicos e flexíveis, visando o aumento das vantagens competitivas, tem levado as empresas a recorrer à automação e informatização dos seus processos. Neste sentido, a crescente informatização da comunicação administrativa nas empresas tem propiciado uma agilidade sem precedentes no fluxo da comunicação interna. O correio eletrônico, um dos principais meios de informatização da comunicação, é atualmente “quase uma norma nas empresas do mundo moderno” (NASCIMENTO , 2002), devido ao grande potencial de aumento de produtividade e redução de custos. Por outro lado, o amplo uso do correio eletrônico pelos empregados, em todos os níveis da organização, facilita o rompimento de barreiras hierárquicas das estruturas rígidas, permitindo um fluxo livre e desobstruído da informação, através da comunicação direta entre o remetente e o destinatário sem a intermediação de instâncias “repassadoras” da informação (ROMAN , 2002).

O correio eletrônico propiciou, também, o rompimento das barreiras na comunicação da organização com o mundo exterior, trazendo à rotina diária, assuntos antes restritos à vida fora do trabalho.

Esse fluxo desobstruído da informação, tanto de origem interna quanto externa à organização, resultou no aumento exponencial da informação disponível para os trabalhadores do mundo atual e, como conseqüência, a necessidade de lidar com essa abundância de informação, o que toma, inevitavelmente, tempo antes dedicado a outras atividades.

Considerando que o tempo “é um recurso importante, cobiçado e até mesmo estratégico para a sociedade e as organizações” (EMMENDOERFER, 2002), o correio eletrônico ao mesmo tempo em que agilizou de forma sem precedente a comunicação, também trouxe como subproduto dessa verdadeira revolução, um aspecto potencialmente negativo para as organizações: o “consumo” de tempo no tratamento da avalanche de informação.

Para DRUCKER (2002) a diferença entre o uso do tempo e o desperdício do tempo, para o gerente, é a eficácia e o resultado. Um impacto negativo no tempo disponível do gerente reflete diretamente nos resultados da organização, pois afeta substancialmente sua capacidade de dedicar tempo às pessoas, que segundo DRUCKER (2002) é a atividade central no trabalho do gerente.

Este trabalho tem como objetivo apresentar elementos para a discussão sobre a influência do correio eletrônico na gestão de uma empresa de grande porte, focando a sua abordagem na dimensão tempo, procurando entender se existe uma sobrecarga de informação e qual é a percepção do gerente sobre o efeito dessa sobrecarga no seu tempo diário de trabalho.

Foi aplicado um questionário com perguntas fechadas, com o quadro de gerentes de duas unidade de uma empresa brasileira de grande porte. A pesquisa procurou avaliar a quantidade de mensagens recebidas e enviadas diariamente através do correio eletrônico, a relevância dessas mensagens para o trabalho do gerente e a sua percepção quanto ao impacto no seu tempo disponível.

O trabalho está dividido em quatro seções, além da introdução. A segunda e terceira seções apresentam, respectivamente, uma revisão da dimensão “tempo” nas organizações e a sua importância para a gestão, e uma revisão do uso corporativo do correio eletrônico. Na quarta seção são discutidos os resultados da pesquisa. Finalmente, na quinta seção são apresentadas as conclusões do trabalho.

2. A dimensão tempo nas organizações

A importância da dimensão tempo foi percebida pelas organizações desde cedo, mas com a mecanização da produção, na medida em que a máquina tornou-se o ponto focal do trabalho, a programação do tempo tornou-se o aspecto central do planejamento (HASSARD, 2002). A partir de então, as organizações industriais “atribuíram um valor singular ao tempo, que ‘vale dinheiro’ [..]” (CASTELLI, 1990 apud EMMENDOERFER, 2002). Para HASSARD (2002), o tempo tornou-se uma “commodity” no processo de produção industrial. Ele afirma, também, que o relógio passou a ser onipresente nas organizações, dando a idéia de que o indivíduo estava vendendo o seu tempo de trabalho, ao invés do próprio trabalho. Mumford, citado por HASSARD (2002), sugeriu que o relógio, não a máquina a vapor, era a máquina-chave da era industrial. Essa idéia foi apresentada também por Charles Chaplin, no seu filme “Tempos Modernos”, ilustrando como ninguém a organização “Taylorista” da produção, na qual o relógio era o instrumento de coordenação e controle das empresas.

DRUCKER (2002) afirma que o tempo é um recurso totalmente perecível e não pode ser armazenado. Para ele, o tempo de ontem foi embora para sempre e nunca voltará. O tempo é totalmente insubstituível, é o recurso mais escasso e a menos que seja gerenciado nada mais pode ser gerenciado.

Para HASSARD (2002) na era pós-moderna o “tempo do relógio” está sendo suplantado pelo chamado “tempo-instantâneo”, visto que os indivíduos responsáveis por tomar decisões têm de responder “instantaneamente” a um mundo organizacional crescentemente complexo e arriscado. HASSARD (2002) argumenta que enquanto o telefone e o fax reduziram o tempo de resposta de meses, semana e dias para segundos, os computadores comprimiram o tempo de resposta para bilionésimo de segundos, fazendo com que as práticas organizacionais sejam baseadas, cada vez mais, em escalas de tempo que estão além da consciência humana.

Os delimitadores tradicionais do tempo estão sendo gradualmente abandonados. As mudanças organizacionais e inovações tecnológicas têm rompido as distinções entre noite e dia, dias de trabalho e fins-de-semana, casa e trabalho, lazer e trabalho (HASSARD, 2002).

A dimensão tempo sendo fundamental para a organização e para a sua gestão é vital para o gerente. Segundo DRUCKER (2002), o gerente eficaz não cuida primeiro de suas tarefas, mas do seu tempo. Ele deve, prioritariamente, descobrir onde o seu tempo é gasto. Refletir sobre os problemas mais importantes, extrair informações úteis dos dados disponíveis, tomar decisões e, principalmente, estar disponível para as pessoas de sua equipe, são atividades que requer tempo do gerente. Para DRUCKER (2002) gastar apenas alguns minutos com pessoal é improdutivo. O gerente que pensa que pode discutir planos e desempenho com um dos seus subordinados em quinze minutos – segundo Drucker, muitos gerentes acreditam nisso – é apenas enganar a si mesmo. Para ele, as atividades gerenciais requerem períodos contínuos de tempo relativamente longos, para que os assuntos sejam tratados de forma eficaz.

Portanto, o tempo, por ser um recurso tão importante para a gestão, “o fator limitante” como afirma DRUCKER (2002), precisa ser muito bem gerenciado, sob pena de se comprometer, irremediavelmente, os resultados da organização.

3. O correio eletrônico e seu uso corporativo

Com o surgimento da Internet, na década de 70, e a sua popularização, na década de 90, o mundo ficou ainda “menor”. Grande parte do conhecimento humano acumulado ao longo da história está, literalmente, ao alcance da mão, ou mais precisamente, da ponta dos dedos. O correio eletrônico, talvez a aplicação mais popular da Internet, é o serviço que melhor atinge o objetivo da rede mundial de computadores – a comunicação (NASCIMENTO, 2002).

O correio eletrônico apresenta uma série de vantagens que consolidaram a sua popularidade: as mensagens são transmitidas, literalmente, à velocidade da luz, podendo se anexados arquivos em qualquer formato digital; ao contrário do telefone, não exige a presença de ambos os interlocutores, ficando a critério do receptor a escolha do momento mais adequado para ler a mensagem; baixo custo em relação à ligação telefônica, podendo transmitir uma grande quantidade de informação em muito pouco tempo, o que não é possível com a comunicação oral (NASCIMENTO, 2002).

Para (NASCIMENTO, 2002), “Quem ficar fora da grande rede estará perdendo a conexão planetária do século XXI. Esse lembrete vale tanto para as empresas quanto para usuários individuais”.

No entanto, como toda inovação tecnológica o correio eletrônico trouxe, juntamente com todas as vantagens evidentes, novos problemas até então não experimentados, além de potencializar problemas já existentes nas organizações. Rompendo as barreiras tradicionais na comunicação corporativa, o correio eletrônico trouxe o mundo exterior à mesa de trabalho nas organizações contemporâneas, o que sendo uma das principais características revolucionárias desse novo meio de comunicação, também é um de seus aspectos mais problemático. Nesse sentido, o correio eletrônico tem inundado a caixa de entrada dos usuários com mensagens não relacionadas, na sua maioria, com o seu trabalho.

BUCKLEY (1999) relata que o diretor de arte da revista PC Computing acredita que 75% dos e-mails são desnecessários, reclamando por ser incluído em listas de mensagens que não são relacionadas com o seu trabalho. Shostak, citado por BUCKLEY (1999), disse que recebia 50 mensagens por dia e a metade exigia resposta.

Many … consist of jokes, irrelevant bulletins and important announcements about
secret cookie recipes.… If I spend five minutes considering and composing a
response to each correspondence, then two hours of my day are busied with email,
even if I don’t initiate a single one.… The number of Internet users is
doubling about once a year…by the start of the new millennium, I—and millions
like me—will be doing nothing but writing e-mails. The collapse of commerce
and polite society will quickly follow (SHOSTAK, 1999 apud BUCKLEY, 1999)

Exagero à parte, constatamos hoje uma avalanche de mensagens comerciais não solicitadas, chamadas de “spam”, que obrigam as empresas a instalar softwares para filtragem das mensagens externas. STONE (2003), escreveu na Newsweek, que o “spam” está chegando a 60% do total de e-mails, segundo a empresa de pesquisa Gartner Group. Ainda segundo STONE (2003), a Ferris Research estima que o “spam” acarreta uma perda anual de produtividade equivalente a 9 bilhões de dólares.

Os filtros são soluções tecnológicas ainda em desenvolvimento, mas já são utilizados pela maioria das empresas na tentativa de minimizar a entrada de mensagens externas indesejadas. Mas, como filtrar as mensagens originadas internamente e que não são relevantes para o trabalho, que vão desde cópias de mensagens que não interessam até piadas e correntes?

Todos os remetentes esperam que o destinatário, no mínimo, tome conhecimento do conteúdo da sua mensagem. Isso coloca os usuários de correio eletrônico em uma situação de pressão: não ler uma mensagem pode significar não tomar conhecimento de um assunto importante, como a convocação para uma reunião ou a solicitação de um serviço, ou ainda, simplesmente, não dar atenção a um colega de trabalho ou a um amigo pessoal.

De acordo com GEDDIE (1998), um gerente de médio nível em uma companhia internacional afirmou que quando a caixa de entrada do seu correio eletrônico fica muito cheia, ele simplesmente apaga todas as mensagens, pois se for importante as pessoas entrarão em contato com ele. Para Geddie, essa é uma reação tipicamente humana para uma sobrecarga tecnológica, economizando o tempo do gerente a curto prazo. Mas questiona se isso é eficaz para ele e para o seu negócio.

Há dez anos estávamos sufocados pelo excesso de papel, ou pelo menos era o que achávamos, hoje estamos praticamente afogados nas mensagens eletrônicas, que ironicamente veio nos livrar do excesso de papel. “Os bits substituem os átomos” ROMAN (2002).

Enquanto incrementamos a nossa capacidade de coletar e organizar dados, afirma STODDART (2004), nossa habilidade de analisar e converter esses dados em informação útil e conhecimento não está sendo capaz de acompanhar a quantidade sendo gerada. Para ela, os gerentes freqüentemente têm uma quantidade aparentemente ilimitada de opções e dados disponíveis, apesar de o tempo requerido para analisá-los ter diminuído.

Terão mais capacidade de análise dos dados disponíveis e, portanto, mais poder, aqueles que forem capazes o suficiente para acessar, classificar, priorizar e usar esses dados (GEDDIE, 1998)

FRICK (2000) alerta que verificar o correio eletrônico a cada hora, ou a cada meia-hora, e achar que deve responder todas as mensagens, pode devorar o tempo e impedir a produtividade. Por outro lado BULKLEY (2003) afirma que não é o e-mail, em si, que pode influenciar a produtividade, mas a forma como é utilizado.

Segundo DRUCKER (2002) os executivos seniores raramente têm mais de um quarto do seu tempo verdadeiramente à sua disposição para assuntos importantes, que contribuem, para os quais eles são pagos. Nessa análise não foi levado em conta o tempo dedicado ao correio eletrônico, o que pode diminuir ainda mais o tempo disponível estimado por ele.

De acordo com STODDART (2004), atualmente uma questão crucial para os executivos seniores é como analisar mais dados em menos tempo. Enquanto RIBEIRO (2001) afirma que “o importante é que o dirigente não perca o foco do seu próprio trabalho”.

Os gerentes, pela própria natureza das suas atividades, são os principais usuários do correio eletrônico corporativo. Portanto, são os potencialmente mais afetados pelo excesso de mensagens. Por esse motivo foram os alvos da pesquisa apresentada nesse trabalho.

4. O uso do correio eletrônico em uma empresa brasileira de grande porte

Nessa empresa, como na maioria das grandes empresas, o correio eletrônico é amplamente usado como meio de comunicação interna entre os empregados, bem como na comunicação externa. Os gerentes estão entre os que mais utilizam o correio eletrônico nas suas atividades de rotina.

A pesquisa teve como objetivo avaliar a quantidade de mensagens recebidas e enviadas diariamente por cada gerente, aferir a relevância dessas mensagens para o trabalho e a sua percepção quanto ao impacto no seu tempo disponível.

O questionário foi enviado, via correio eletrônico, para todos os gerentes de duas unidades da empresa, tendo sido respondidos 60% do total enviado.

Constatou-se que 73,3% dos pesquisados recebem mais de 30 mensagens por dia e que 40% recebem mais de 40 mensagens por dia. Essa quantidade diária de mensagens é significativamente alta. Dois ou três dias sem abrir o correio, em viagens ou folgas por exemplo, pode significar mais de 100 mensagens não abertas acumuladas para a maioria dos gerentes.

Por outro lado, cerca de 47% dos gerentes pesquisados estimaram que entre 50 e 80% das mensagens recebidas não são relevantes para o seu trabalho. Excesso de informação que não interessa diretamente ao trabalho provoca, inevitavelmente, perda de tempo e desvio de foco, mesmo que seja descartada sem resposta. Além disso, as informações realmente importantes, que contribuem decisivamente para a eficácia do gerente, ficam “soterradas” sob uma camada de informações irrelevantes, o que requer atenção e habilidade adicionais para “garimpar” essas informações e não perdê-las.

A pesquisa realizada por SOUZA (2002), sobre o comportamento dos empregados de uma empresa na área de energia e telecomunicações diante do uso do correio eletrônico, mostrou que 51,6% dos pesquisados respondem imediatamente as mensagens recebidas, independente do grau de importância, e que a maioria (80%) dos pesquisados lê imediatamente as comunicações oficiais da organização. Pode-se, portanto, afirmar que o correio eletrônico é um veículo extremamente eficaz para a comunicação corporativa. No entanto, a falta de uma avaliação criteriosa do conteúdo e do público alvo da comunicação corporativa veiculada através do correio eletrônico pode contribuir substancialmente para a sobrecarga de informação não diretamente relacionada com o trabalho. Será que todos os gerentes precisam receber uma mensagem informando o resultado da partida final de futebol de salão dos jogos da empresa, ou da assinatura do contrato para construção de uma nova unidade operacional, por exemplo? Essas informações, certamente relevantes para um público específico, deveriam ser divulgadas por um outro meio, como a Intranet ou o Jornal local da unidade de negócio.

Os próprios gerentes contribuem para o tráfego excessivo de mensagens, quando repassam essas mensagens “automaticamente”, sem uma análise, para os membros de sua equipe ou para outros gerentes, em muitos casos utilizando uma lista pessoal de distribuição. Agindo assim, o gerente economiza o seu tempo através da apropriação do tempo de outras pessoas, o que não é uma medida eficiente para a organização. DRUCKER (2002) diz que os gerentes eficazes aprenderam a fazer a seguinte pergunta, de forma sistemática e aberta: “O que eu faço que desperdiça o seu tempo sem contribuir para a sua eficácia?”. Para Drucker, fazer essa pergunta, sem ter medo da verdade, é uma característica do gerente eficaz.

Somando-se a isso existem as mensagens com piadas, mensagens religiosas ou de auto-ajuda, e outras do gênero, originadas internamente à organização, para as quais as tecnologias de filtragens não funcionam, por não serem aplicadas às mensagens de origem interna.

Em relação ao envio de mensagens, 80% dos pesquisados responderam que enviam menos de 20 mensagens por dia, sendo que 46,7% enviam menos de 10. Portanto a maioria dos gerentes envia bem menos mensagens do que recebe.

Nenhum dos gerentes pesquisados respondeu que gasta menos de uma hora por dia com o correio eletrônico, sendo que 40% gastam mais de duas horas. É um tempo considerável para ser gasto apenas com o correio, principalmente se uma parte desse tempo for gasta de forma improdutiva procurando descobrir o que é importante, ou não, para o trabalho, entre dezenas de mensagens.

A revista Exame, na sua edição de 2 de Março de 2005, afirma que uma pesquisa realizada pela consultoria americana Booher Consultants Incorporation, feita com 900 executivos de 30 empresas, constatou que quase 70% dos entrevistados passam mais de duas horas por dia só respondendo aos e-mails, concluindo que “responder e-mails é hoje um dos maiores fatores de perda de tempo na jornada de quem comanda as empresas”.

Uma das recomendações de FRICK (2000), para evitar que o correio eletrônico “devore” o seu tempo, é verificar a sua caixa de entrada apenas uma ou duas vezes por dia, colocando uma nota na assinatura de suas mensagens informando esse procedimento, de tal forma que as pessoas fiquem sabendo que uma resposta imediata é improvável. Trabalhar com o correio aberto, dando uma olhada em cada mensagem que chega, pode ser produtivo para um atendente de “help-desk”, mas é fatal para a produtividade de quem trabalha com o conhecimento, os chamados por DRUCKER (2002) de “Knowledge Worker”, especialmente os que desempenham funções gerenciais.

Entre os gerentes pesquisados apenas um terço afirmou ter menos de 20 mensagens recebidas há mais de uma semana e ainda não lidas. No entanto, outro terço tem mais de 100 mensagens na sua caixa de entrada esperando, há mais de uma semana, serem lidas. Se uma parte dessas mensagens, mesmo pequena, for importante para o trabalho, alguma coisa está deixando de ser feita ou foi feita sem levar em consideração alguma informação relevante.

Foi constatado, também, que um terço dos pesquisados tem mais de 70 mensagens recebidas há mais de um mês e ainda não lidas, sendo que 20% têm mais de 100 mensagens nesta condição. Da mesma forma, alguma informação importante pode está sendo perdida ou não utilizada no momento adequado, o que em ambos os casos pode afetar negativamente a eficácia da gestão. O acúmulo de mensagens não lidas é um forte indício de que a quantidade recebida diariamente, avaliada inicialmente pela pesquisa, está além da capacidade de grande parte dos gerentes lidar com o fluxo diário de entrada do correio eletrônico. Esse “back-log” de mensagens vai, cedo ou tarde, demandar mais tempo para serem tratadas.

Na opinião de mais da metade dos gerentes pesquisados o correio eletrônico tem um impacto considerável no seu tempo disponível para as outras atividades gerenciais, e para 40% tem um impacto relativamente grande. O que está coerente com a quantidade de mensagens recebidas e com o “back-log” de mensagens não abertas.

Cabe aqui, mais uma vez, ressaltar a importância que deve ser atribuída à quantidade excessiva de mensagens não relevantes. O impacto do correio no tempo disponível só é um aspecto negativo se as informações tratadas não contribuírem para a eficácia do gerente e para os resultados da organização.

Dentre os “consumidores” de tempo apresentados aos pesquisados, o correio eletrônico foi considerado o segundo a tomar mais tempo, perdendo apenas para as reuniões. Estes resultados mostram, também, coerência com as outras questões da pesquisa. DAVIS (1993), citando a edição de 1985 do livro “The Effective Executive”, de Peter Drucker, lista os 10 maiores “consumidores” de tempo:

– Interrupções de telefonemas
– Mudanças de prioridades (gerenciamento de crises)
– Falta de objetividade, prioridades e planejamento
– Visitantes inesperados
– Delegação ineficaz
– Querer fazer coisas demais
– Reuniões
– Desorganização pessoal
– Incapacidade de dizer “não”
– Falta de auto-disciplina

Nessa época, 1985, o correio eletrônico era praticamente inexistente nas empresas e, como era de se esperar, não aparece entre os maiores “consumidores” de tempo.

5. Conclusões

Este trabalho procurou trazer elementos para a discussão da influência de uma nova e revolucionária tecnologia de comunicação na gestão das empresas, o correio eletrônico, buscando demonstrar que o uso dessa tecnologia trouxe, juntamente com as inquestionáveis e irreversíveis vantagens, um novo aspecto potencialmente problemático para as organizações: o fluxo excessivo de informação, grande parte dela não relevante para o trabalho, demandando tempo dos gerentes no tratamento dessa massa diária de dados.

O referencial teórico apresentando, o qual foi agrupado em dois temas – a dimensão “tempo” nas organizações e o uso corporativo do correio eletrônico, comprova a importância singular do tempo para as organizações, e para o gerente em particular, a partir da revolução industrial. Comprova também, o papel destacado do correio eletrônico na comunicação da era pós-moderna, a era do conhecimento, onde a capacidade de transformar informação em conhecimento já está sendo uma exigência diária para o trabalho dos “Knowledge Workers”. O problema se configura quando a massa de informação a ser trabalhada nas atividades diárias é muito grande e, principalmente, não focada no que realmente contribui para os resultados da organização. STODDART (2004) afirma que muitos gerentes seniores estão simplesmente sobrecarregados pelo imenso volume de informação disponível, acrescentando que a habilidade para acessar e usar informação eficazmente é uma absoluta necessidade para indivíduos e organizações.

A pesquisa realizada com os gerentes de duas unidades de uma empresa brasileira de grande porte, apresentou resultados consistentes com a literatura estudada, na medida em que detecta um fluxo de mensagens relativamente grande, muito pouco focado nos assuntos relevantes para o trabalho e que demanda, na visão dos gerentes, uma parcela significativa do seu tempo disponível.

O impacto no tempo do gerente, demonstrado pela pesquisa, não significa necessariamente impacto negativo na produtividade. Mas, o excesso de mensagens não diretamente relacionadas com o trabalho é uma séria ameaça à eficácia gerencial. Portanto, os resultados sugerem a necessidade de estudos sobre o assunto, focando os aspectos de “produtividade” ou eficácia da gestão.

A solução para o excesso de informação não focada no trabalho, não parece está na aplicação crescente de tecnologias voltadas para a seleção automática de dados relevantes, pelo menos no futuro previsível. No seu artigo, STONE (2003) afirma que no jogo de “gato e rato”, em que se tornou a guerra contra o “spam” na Internet, o rato está vencendo com uma grande vantagem. Segundo STONE (2003), um engenheiro de uma empresa de software anti-spam disse, referindo-se à luta contra o “spam”, que era como atingir um alvo que está vindo de todas as direções e se movendo na velocidade da Internet. Além disso, essa tecnologia não se aplica às mensagens não relevantes originadas internamente à organização. A abordagem mais adequada para o problema estaria no tratamento das questões do correio eletrônico como um assunto de comunicação corporativa e não como um assunto de Tecnologia de Informação.

Talvez, quando a febre do correio eletrônico chegou às organizações, o aumento da produtividade através da economia de tempo tenha sido um dos principais fatores na decisão de utilização dessa tecnologia. O correio eletrônico, sem dúvida, diminuiu vertiginosamente o tempo necessário para a transmissão da informação. Mas, em contrapartida, aumentou também vertiginosamente o volume de informação disponível, consumindo ainda mais o tempo nas organizações. Isso implica no fracasso do uso corporativo do correio eletrônico? GEDDIE (1998) traduz bem essa expectativa equivocada na aplicação de tecnologias, quando afirma: “Successful use of technology is not creating more time for us, but does allow us to use time in different ways”. Essas formas diferentes do uso do tempo podem influenciar positiva ou negativamente nos resultados das organizações, depende apenas de como o tempo é utilizado.

Referências

BUCKLEY, Suzanne. E-Mail Use by Newspaper Editors. Creativity and Consumption Conference, University of Luton, Luton, U.K, 29-31 de Março, 1999.

BULKLEY, Nathaniel; ALSTYNE, Marshal. Does E-Mail Make White Collar Worker More Productive? University of Michigan, 2003.

DAVIS, Arthur G. Better time management can improve job performance. PRIMEDIA Business Magazines & Media Inc, 1993. Disponível em: www.findarticles.com. Acesso em: Dez/2004

DRUCKER, Peter. Know Thy Time. In:___ The Effective Executive. Adobe Acrobat E-Book Reader edition v 1. 2002. cap. 2, p. 25-53

EMMENDOERFER, Magnus L. Tempo Livre nas Organizações: Concepções, Evidências e Reflexões de Um Estudo Teórico-Empírico. 2002. Escola de Administração, UFSC

FRICK, Elizabeth A. Managing Your Productivity. In: Intercom Magazine, Fev. 2000.

GEDDIE, Tom. Technology: it’s about time – relationship between technology and time. International Association of Business Communicators, 1998. Disponível em: www.findarticles.com. Acesso em: Dez/2004

HASSARD, John. Essai: organizational time; modern, symbolic and postmodern reflections. Walter de Gruyter und Co, 2002. Disponível em: www.findarticles.com. Acesso em: Dez/2004

NASCIMENTO, Raimundo B.; TROMPIERI, Nicolino F. Correio eletrônico como recurso didático no ensino superior – o caso da Universidade Federal do Ceará. 2002, Universidade Federal do Ceará.

RIBEIRO, Renato V. O Imbatível Executivo de Resultados. Rev. FAE, Curitiba, v.4, n.3, p.45-52, set./dez. 2001. Disponível em: www.fae.edu/publicacoes/ Acesso em: Jan/2005

ROMAN, Artur R. Chega de papel! O correio eletrônico e a comunicação administrativa nas empresas. 2002. Comunicação Social, UFPR

SOUZA, Hamilton E. L. Cultura organizacional na utilização da tecnologia de informação Intranet. 2002. UFSC

STODDART, Linda. Is information really used in decision making? On Line Information, 2004. Disponível em: www.un.org/depts/dhl Acesso em: Dez/2004

STONE, Brad. Soaking In Spam. Newsweek, v.CXLII, n.23, p.38-39, 08/dez. 2003.

Publicado em Informática | 3.623 comentários

Qual é a Potência do Meu Som?

Tenho recebido e-mails perguntando o que é Watt PMPO e qual a sua diferença para Watt RMS. Estas unidades são utilizadas para expressar a potência de saída de aparelhos de áudio e têm causado muita confusão entre os usuários de sistemas de som, na hora de escolher um bom aparelho para comprar.
A unidade de potência adotada pelo Sistema Internacional de Unidades (SI) é o Watt (W). Para um circuito elétrico a potência dissipada é dada pela equação:

P = V.I

Onde: P é a potência em watt (W), V é a tensão em volt (V) e I é a corrente elétrica em ampere (A)

Para um circuito de corrente contínua a fórmula acima é aplicada sem maiores problemas. Mas, quando a corrente e a tensão não são contínuas, as coisas se complicam um pouco mais. Quais são os valores da tensão e da corrente que deveremos utilizar na fórmula da potência? Os valores de pico? Os valores médios? Para uma tensão, ou corrente, alternada com uma forma de onda senoidal o valor médio é zero! É aí que entra o termo RMS, iniciais de “Root Mean Square” ou “Valor Quadrático Médio” ou, simplesmente, Valor Eficaz.
O valor RMS da tensão (Volt RMS) e da corrente (Ampere RMS) é calculado de tal forma que equivale, para efeito de cálculos, aos valores constantes de um sistema de corrente contínua. Quando afirmamos que a tensão (ou “voltagem”) de uma tomada é 110 V ou 220 V, estamos na verdade nos referindo ao valor RMS da tensão, ou valor eficaz.
A potencia média calculada com esses valores é chamada de potência RMS ou “Watt RMS“. Essa é a potência efetiva de saída do nosso sistema de som. Esse valor é diretamente proporcional à energia perceptível.
A essa altura você já deve estar perguntando: e o que é que a potência PMPO tem a ver com tudo isso?!
O termo PMPO vem de “Peak Music Power Output“, ou “Potência de Saída de Pico Musical“. O Inmetro – Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – disponibiliza no seu site os resultados de um estudo com vários aparelhos de som de marcas diferentes, comparando as potências RMS e PMPO declaradas pelos fabricantes. Transcrevo abaixo trechos do estudo com a definição de potência PMPO e a tabela comparativa apresentada:

Transcrição de trecho de artigo do INMETRO

“PMPO: é a sigla de Peak Music Power Output (numa tradução livre, Potência de Saída de Pico Musical). É a potência máxima que o equipamento é capaz de fornecer em um período muito limitado de tempo, sem levar em conta a distorção durante essa medida. Na forma como é definida, esse parâmetro apenas informa a potência instantânea que esse aparelho pode fornecer ao emitir um som que pode ser extremamente distorcido e por um período irrisório de tempo.

Na sua definição inicial, o valor PMPO representava cerca de 3 vezes o valor RMS, no entanto, como não existe procedimento técnico normalizado, cada fabricante desenvolve seu próprio método para medir a potência de seus equipamentos, de forma que estes valores hoje podem chegar, no caso de alguns aparelhos analisados pelo Inmetro, até 50 vezes o valor RMS e, o que é considerado mais grave, o fator multiplicativo varia de fabricante a fabricante, impossibilitando assim uma comparação entre aparelhos de marcas diversas.”

Transcrição de trecho de artigo do INMETRO

Ensaios Realizados e Resultados Obtidos

Valores de Potência RMS e PMPO declarados pelo fabricante

Antes da realização dos ensaios previstos, foram comparados os valores de potência RMS e PMPO declarados pelos fabricantes. Cabe ressaltar que, como não existe norma técnica que defina parâmetros para medir a potência PMPO, comparamos apenas os valores declarados pelos fabricantes e verificamos a relação RMS/PMPO, ou seja quantas vezes o valor PMPO é maior que o RMS.

Marca

Potência RMS (W)
declarada

Potência P.M.P.O. (W) declarada

Relação RMS/ P.M.P.O.

NACIONAL A

18

1000

55,56

NACIONAL B

30

1000

33,33

IMPORTADA A

3

100

33,33

IMPORTADA B

Não declarado

100

—–

NACIONAL C

2

100

50

NACIONAL D

Não declarado

80

—–

IMPORTADA C

5

200

40

NACIONAL E

120

1350

11,25

NACIONAL F

5

250

50

NACIONAL G

4,8

120

25

Resultados:
Os valores declarados para potência PMPO se elevam a até 50 vezes o valor RMS. Como não existe procedimento técnico normalizado, cada fabricante desenvolve seu próprio método para medir a potência de seus equipamentos e a relação RMS/PMPO varia de fabricante a fabricante, impossibilitando assim que o consumidor faça uma comparação entre aparelhos de marcas diversas.

Os resultados encontrados ao compararmos a Potência RMS X PMPO demonstra que há um abuso no uso desse parâmetro para caracterizar um equipamento de som.

O consumidor ao adquirir um equipamento de som com 1000 Watts PMPO dificilmente saberá que a potência real do seu aparelho pode ser, por exemplo, de 18 Watts.

A medida mais apropriada para dar ao consumidor uma idéia da potência de seu aparelho de som é a potência RMS. Essa medida é, de fato diretamente proporcional à intensidade do som gerado pelo equipamento.

Percebe-se que o consumidor está recebendo informações deturpadas em relação a potência de aparelhos de som, o que infringe os artigos 31 e 37 do CDC, que esclarecem sobre a oferta e a publicidade enganosa respectivamente:


Art. 31. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores.

Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.

§ 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.


O estudo do INMETRO é de uma clareza surpreendente, não deixando margem de dúvidas quanto à unidade de potência correta para comparação de aparelhos de som: Watt RMS. Mas, ainda falta um alerta adicional para os compradores desavisados: alguns fabricantes informam a potência RMS por canal de saída, enquanto outros informam como potência do equipamento a soma da saída de todos os canais. Portanto, cuidado para não comparar “banana com laranja”, mesmo em Watt RMS!
Espero que esse artigo ajude o leitor a não entrar nas “estatísticas” dos que afirmam que PMPO significa: Potência Máxima Para Otários. 🙂

Sites Recomendados:
INMETRO
Wikipédia (Português)
Wikipédia (Português)
Wikipédia (Inglês)

Publicado em Geral | 3.893 comentários

O Conhecimento ao Alcance dos Dedos

Já virou lugar comum falar das maravilhas proporcionadas pela Internet. Na verdade a Internet potencializou de forma extraordinária a capacidade humana já existente. Nem sempre para o bem comum, infelizmente. Eu costumo definir a Internet como um imenso e caótico depósito, onde qualquer pessoa tem (em teoria!) a liberdade de acrescentar material, sem censura prévia. A grande maioria do material disponível nesse “depósito” é lixo, no sentido de que nada acrescenta a quem tem acesso ou, o que é pior, presta um desserviço transgredindo os mais básicos valores de uma sociedade minimamente civilizada.
Mas, existe uma pequena parte desse imenso “depósito” (1%? 5%? Quem é capaz de saber?) que contêm quase a totalidade de todo o conhecimento humano acumulado ao longo da história. Na minha modesta opinião a “pequena” parte de valor desse depósito chamado Internet, mais do que compensa a parte “podre”. Ouso até dizer que sem a plena liberdade de expressão, possibilitada pela ausência total de censura prévia, a “parte boa” da Internet não existiria ou seria limitada à expressão do pensamento dos censores (o que daria no mesmo).
No entanto, a tão bem-vinda falta de controle rígido acarretou um verdadeiro caos: está tudo misturado no depósito global. Terá mais acesso às informações desse imenso acervo e, portanto, mais poder, quem for mais capacitado na atividade de garimpar as informações desejadas. Daí o sucesso dos sites de busca. Além de procurar se aprimorar nessa atividade de “garimpo” de informações realmente úteis, é necessário ter, no mínimo, a capacidade de entender um texto em inglês. Pois, gostemos ou não, a vasta maioria dos websites estão nesse idioma, infelizmente.
Na lista de links desse blog estão disponibilizados excelentes sites, relativos aos temas aqui discutidos, que provam o valor da Internet e nos fazem perguntar como conseguíamos viver sem essa fabulosa ferramenta.
Listo abaixo uma pequena amostra de sites de grande utilidade em áreas como ciências, engenharia, tecnologia, geografia, pensamento crítico, entre outras.

Projeto Ockham: Promove o pensamento crítico, dedicando-se a “divulgar e discutir evidências científicas disponíveis sobre vários fenômenos supostamente ‘paranormais’ ou ‘sobrenaturais’ e fatos erroneamente divulgados como científicos.

Skeptico: Blog que promove o pensamento crítico (Critical thinking for a irrational world)

Fundamental Physical Constants from NIST: Site do National Institute of Standards and Technology– NIST (O equivalente nos Estados Unidos ao INMETRO brasileiro) que disponibiliza as constantes físicas fundamentais

NIST Chemistry WebBook: Site do National Institute of Standards and Technology– NIST que disponibiliza um vasto banco-de-dados on-line sobre propriedades de produtos químicos

Elemental Data Index: Periodic Table: Site do National Institute of Standards and Technology– NIST que disponibiliza uma tabela periódica on-line que dar acesso a vários bancos-de-dados de propriedades dos elementos químicos

Steam Properties: Banco-de-dados on-line sobre as propriedades do vapor d´água

MatWeb – The Online Materials Information Resource: Banco-de-dados on-line sobre composição química e propriedades de materiais utilizados na engenharia

The Wolfram Functions Site: Site sobre funções matemáticas, da Wolfram Research (desenvolvedor do famoso software Mathematica)

The Integrator — Integrals from Mathematica: Site para integração de funções on-line, da Wolfram Research

ScienceWorld: Site sobre ciências, da Wolfram Research

MathWorld: Site sobre matemática, da Wolfram Research

UOL – Michaelis: Dicionário on-line da língua portuguesa

Merriam-Webster Online: Dicionário (Inglês – Inglês) on-line, da Merriam-Webster

Google Maps: Equivalente on-line do Google Earth, disponibiliza mapas e fotos de satélite do mundo

ViaMichelin: Site da Michelin que disponibiliza on-line mapas, cálculos de distâncias e rotas na Europa

Publicado em Geral | 3.023 comentários